Nota mental:
"A ignorância é uma benção". Mas somente se você tiver medo de se afogar.
(homenagem singela à amizade com o Otávio)
Monday, February 16, 2009
Depois da tempestade...
Período de tempo sem postar: mais de 2 meses. Tempo suficiente para um tornado vindo dos quintos das profundezas arrasar tudo o que tinha dentro de mim.
De lá pra cá, perdi a fé em tudo, desejei mais do que nunca sumir, tentei encontrar sentido nas coisas e falhei e por fim, meu namoro de três anos acabou. Parecia que o universo havia conspirado para que tudo que havia em mim se tornasse nada mais que um monte de escombros e ruínas. Já vi muita gente fazer asneiras contra a própria integridade física por muito menos. Eu, por minha vez, me vi jogando a toalha e saindo de cena. A princípio, obviamente.
Bom, a toalha eu havia jogado fazia tempo. Há aproximadamente um ano nada fazia o menor sentido pra mim. Dói admitir, mas não tenho lembranças de 2008. Por lembranças, chamo aqueles pequenos fragmentos do passado que surgem às vezes na nossa mente e nos balançam o coração; coisas boas, coisas ruins, não importa; basta saber que nos fizeram crescer e evoluir.
Sair de cena. Opção sempre viável. Mas não pra mim. Apesar dos pesares, eu sou uma pessoa extremamente teimosa. Sorte ou azar, senti que o que eu poderia fazer pela relação talvez ainda não estivesse terminado, então... paguei pra ver.
As duas primeiras semanas foram... curiosas. Sempre fui uma garota "pra casar", nunca fui de baladas, de sair, de ficar com N pessoas. Mas o que fazer quando tudo o que se era deixa de ser do dia pra noite? Recomeçar do zero, obviamente. E nada melhor pra começar a reconstruir que sanar curiosidades pendentes, que sempre habitavam a cabeça. Conclusões tiradas dos experimentos dessas semanas? Eu sou um péssimo cupido. E ser eclética é muito bom.
De lá pra cá, muita coisa aconteceu.
Nunca me arrependi de ser "o menino esquisito no clube do Bolinha". E cada vez mais, eu amo meus amigos com todas as minhas forças, de todo coração. E SIM, amizade entre homem e mulher existe. "Sem interesses? Pelo menos uma única vez entre as partes"? Hm... eu não arriscaria tanto. Mas tudo faz parte da roda da vida. E nada acontece por puro e simples acaso.
Minhas amigas... ah, essas mulheres da minha vida que conto em uma mão. São meu colo, meu ombro e minhas risadas em tempos difíceis. Por elas eu viraria lésbica; e fico feliz por não haver necessidade disso, pois todas são hetero. Meus tesouros raros na Terra.
Quando algo fora do nosso controle acontece, lidamos com o que chamo de "teoria da rua sem saída". Imagine a situação de um casal. O rapaz resolve pelo término do relacionamento. A garota, por sua vez, depois de esvaidas as tentativas de conversa, fica impotente numa situação de "não-escolha": se um dos dois quer terminar, eles vão terminar. Fato. Então, ela está na rua sem saída. Perante isso, duas opções vão determinar o desenrolar dos novos fatos. Ela pode simplesmente ficar olhando para o muro no fim da rua, inerte, pensando; ou pode virar-se para tentar encontrar outros caminhos que levem ao seu destino.
Já olhei pra parede tempo demais. O melhor que fiz foi tomar a iniciativa de pensar em alternativas daqui pra frente.
Fechar-se ao novo e ao desconhecido não é algo razoável. Se desfazer de tudo o que era também não. Retomar antigos hábitos que nos faziam bem e incomodavam os outros é simplesmente maravilhoso. Rir à toa é um estado de espírito, sinal de jovialidade que não deve esmaecer com o tempo. Agradecer sempre as oportunidades e os desafios que surgem todos os dias. Ter certeza de que fizemos o que estava ao nosso alcance é fundamental para seguirmos adiante. Leveza não é somente não se preocupar em demasia, mas sentir a alma em uma tranqüilidade tal (SIM! COM TREMA!) que ela parece boiar ao sabor de ondas dentro da gente. É deixar as coisas acontecerem, se permitir sentimentos e situações diferentes daquilo que sempre foi.
As dificuldades vêm e vão, e no meio de toda a nossa loucura, podemos somente nos levantar depois de cada queda, e retomar o caminho ao qual nos propusemos. Como eu já havia dito aqui alguma vez (acho), o tempo não pára pra que possamos consertar o que sobrou do coração; podemos somente fazer um remendo aqui e ali e continuar caminhando, enquanto as novas situações dão conta de deixá-lo em condições para outras aventuras. Redescobrir-se através dos olhos de outras pessoas é simplesmente fascinante; dá oportunidade de revermos nossas atitudes, valores e pensamentos sobre nós mesmos.
Ser quem você é não é uma opção, é um compromisso com a própria sanidade mental. Assumir-se é mais importante ainda, vai separar aquelas pessoas que te admiram realmente daquelas que só te acham um rostinho bonito. Divida as coisas, não guarde nada pra si. Fale tudo que vier na cabeça, independente se o outro tiver ou não uma resposta. Não existe felicidade eterna, existem as memórias que você guarda e as que guardam de você. Essas sim são eternas. Essas sim são a verdadeira felicidade.
Ninguém pode ser responsável pela sua própria felicidade. E impingir a co-responsabilidade dela a outros é no mínimo irresponsável. Ser sobrevivente é uma bênção. Amar demais é uma doce maldição. Se entregar a prazeres simples é delicioso. Ler nas entrelinhas nem sempre é bom, surpresas vindas delas podem ser experiências únicas na vida. E, citando o eterno Bruce Lee, na voz doce da Chie Satonaka (Persona 4): "Don't think, feel".
De lá pra cá, perdi a fé em tudo, desejei mais do que nunca sumir, tentei encontrar sentido nas coisas e falhei e por fim, meu namoro de três anos acabou. Parecia que o universo havia conspirado para que tudo que havia em mim se tornasse nada mais que um monte de escombros e ruínas. Já vi muita gente fazer asneiras contra a própria integridade física por muito menos. Eu, por minha vez, me vi jogando a toalha e saindo de cena. A princípio, obviamente.
Bom, a toalha eu havia jogado fazia tempo. Há aproximadamente um ano nada fazia o menor sentido pra mim. Dói admitir, mas não tenho lembranças de 2008. Por lembranças, chamo aqueles pequenos fragmentos do passado que surgem às vezes na nossa mente e nos balançam o coração; coisas boas, coisas ruins, não importa; basta saber que nos fizeram crescer e evoluir.
Sair de cena. Opção sempre viável. Mas não pra mim. Apesar dos pesares, eu sou uma pessoa extremamente teimosa. Sorte ou azar, senti que o que eu poderia fazer pela relação talvez ainda não estivesse terminado, então... paguei pra ver.
As duas primeiras semanas foram... curiosas. Sempre fui uma garota "pra casar", nunca fui de baladas, de sair, de ficar com N pessoas. Mas o que fazer quando tudo o que se era deixa de ser do dia pra noite? Recomeçar do zero, obviamente. E nada melhor pra começar a reconstruir que sanar curiosidades pendentes, que sempre habitavam a cabeça. Conclusões tiradas dos experimentos dessas semanas? Eu sou um péssimo cupido. E ser eclética é muito bom.
De lá pra cá, muita coisa aconteceu.
Nunca me arrependi de ser "o menino esquisito no clube do Bolinha". E cada vez mais, eu amo meus amigos com todas as minhas forças, de todo coração. E SIM, amizade entre homem e mulher existe. "Sem interesses? Pelo menos uma única vez entre as partes"? Hm... eu não arriscaria tanto. Mas tudo faz parte da roda da vida. E nada acontece por puro e simples acaso.
Minhas amigas... ah, essas mulheres da minha vida que conto em uma mão. São meu colo, meu ombro e minhas risadas em tempos difíceis. Por elas eu viraria lésbica; e fico feliz por não haver necessidade disso, pois todas são hetero. Meus tesouros raros na Terra.
Quando algo fora do nosso controle acontece, lidamos com o que chamo de "teoria da rua sem saída". Imagine a situação de um casal. O rapaz resolve pelo término do relacionamento. A garota, por sua vez, depois de esvaidas as tentativas de conversa, fica impotente numa situação de "não-escolha": se um dos dois quer terminar, eles vão terminar. Fato. Então, ela está na rua sem saída. Perante isso, duas opções vão determinar o desenrolar dos novos fatos. Ela pode simplesmente ficar olhando para o muro no fim da rua, inerte, pensando; ou pode virar-se para tentar encontrar outros caminhos que levem ao seu destino.
Já olhei pra parede tempo demais. O melhor que fiz foi tomar a iniciativa de pensar em alternativas daqui pra frente.
Fechar-se ao novo e ao desconhecido não é algo razoável. Se desfazer de tudo o que era também não. Retomar antigos hábitos que nos faziam bem e incomodavam os outros é simplesmente maravilhoso. Rir à toa é um estado de espírito, sinal de jovialidade que não deve esmaecer com o tempo. Agradecer sempre as oportunidades e os desafios que surgem todos os dias. Ter certeza de que fizemos o que estava ao nosso alcance é fundamental para seguirmos adiante. Leveza não é somente não se preocupar em demasia, mas sentir a alma em uma tranqüilidade tal (SIM! COM TREMA!) que ela parece boiar ao sabor de ondas dentro da gente. É deixar as coisas acontecerem, se permitir sentimentos e situações diferentes daquilo que sempre foi.
As dificuldades vêm e vão, e no meio de toda a nossa loucura, podemos somente nos levantar depois de cada queda, e retomar o caminho ao qual nos propusemos. Como eu já havia dito aqui alguma vez (acho), o tempo não pára pra que possamos consertar o que sobrou do coração; podemos somente fazer um remendo aqui e ali e continuar caminhando, enquanto as novas situações dão conta de deixá-lo em condições para outras aventuras. Redescobrir-se através dos olhos de outras pessoas é simplesmente fascinante; dá oportunidade de revermos nossas atitudes, valores e pensamentos sobre nós mesmos.
Ser quem você é não é uma opção, é um compromisso com a própria sanidade mental. Assumir-se é mais importante ainda, vai separar aquelas pessoas que te admiram realmente daquelas que só te acham um rostinho bonito. Divida as coisas, não guarde nada pra si. Fale tudo que vier na cabeça, independente se o outro tiver ou não uma resposta. Não existe felicidade eterna, existem as memórias que você guarda e as que guardam de você. Essas sim são eternas. Essas sim são a verdadeira felicidade.
Ninguém pode ser responsável pela sua própria felicidade. E impingir a co-responsabilidade dela a outros é no mínimo irresponsável. Ser sobrevivente é uma bênção. Amar demais é uma doce maldição. Se entregar a prazeres simples é delicioso. Ler nas entrelinhas nem sempre é bom, surpresas vindas delas podem ser experiências únicas na vida. E, citando o eterno Bruce Lee, na voz doce da Chie Satonaka (Persona 4): "Don't think, feel".
Friday, December 12, 2008
De saco cheio das virtudes
Para Aristóteles, o estado ideal das coisa deveria tender a um equilíbrio, um meio termo entre os extremos. Aos extremos, ele chamava vícios; ao equilíbrio, virtudes. E a paciência constava entre uma delas.
De uns tempos pra cá, tornei-me uma pessoa viciada em relação a certas coisas. Ou sou indiferente, ou completamente intolerante.
Dizer se esses vícios me fazem bem ou mal, ainda não consigo. "Mas se são vícios não podem fazer bem, certo?". Hm... não exatamente. Muitas vezes o barco precisa de uma lufada de vento que quase lhe arranque as velas para chegar no seu destino.
Consigo apenas dizer que me sinto muito estranha. E tenho sempre vontade de parar o tempo para entender e avaliar as possibilidades. A merda é que o tempo não pára, pelo menos não pra mim. E às vezes tudo se torna uma roda viva tão grande de coisas que, quando dou por mim, me vejo sob os escombros do que aconteceu, sem chance de agir ou voltar.
Ficar com dores de estômago, náusea e dor de barriga são o de menos. O pior é o topor que fica pelo corpo todo, quase me impedindo de digitar o que penso e o que sinto. As mãos trêmulas quase não obedecem, os olhos querem simplesmente se fechar para esperar que tudo passe e fique novamente no silêncio confortável da ignorância.
Felizmente ou não, me desvencilho dele e busco algo pra fazer. Deixar os neurônios inquietos é uma forma de remediar as coisas que não controlo.
De uns tempos pra cá, tornei-me uma pessoa viciada em relação a certas coisas. Ou sou indiferente, ou completamente intolerante.
Dizer se esses vícios me fazem bem ou mal, ainda não consigo. "Mas se são vícios não podem fazer bem, certo?". Hm... não exatamente. Muitas vezes o barco precisa de uma lufada de vento que quase lhe arranque as velas para chegar no seu destino.
Consigo apenas dizer que me sinto muito estranha. E tenho sempre vontade de parar o tempo para entender e avaliar as possibilidades. A merda é que o tempo não pára, pelo menos não pra mim. E às vezes tudo se torna uma roda viva tão grande de coisas que, quando dou por mim, me vejo sob os escombros do que aconteceu, sem chance de agir ou voltar.
Ficar com dores de estômago, náusea e dor de barriga são o de menos. O pior é o topor que fica pelo corpo todo, quase me impedindo de digitar o que penso e o que sinto. As mãos trêmulas quase não obedecem, os olhos querem simplesmente se fechar para esperar que tudo passe e fique novamente no silêncio confortável da ignorância.
Felizmente ou não, me desvencilho dele e busco algo pra fazer. Deixar os neurônios inquietos é uma forma de remediar as coisas que não controlo.
Monday, September 15, 2008
Só cabe aqui um palavrão...
... e daqueles bem cabeludos, que faziam as nossas avós lavarem nossas bocas com sabão.
Voltei, mais uma vez. Voltei a escrever, porque nosso país merece!
Isso mesmo. O Brasil MERECE que eu escreva!
O Brasil merece que eu escreva porque, um dia, eu acreditei nele. Acreditei que a minha nação, a minha "terra adorada" pudesse se tornar algo além da terra das bananas e das mulatas. Acreditei que um dia o QI avaliado pelas empresas na contratação de seus funcionários seria sigla para um tipo de análise de competência. Cheguei até a sonhar que a Amazônia seria reconhecidamente nossa, que nossa língua seria respeitada nos quatro cantos do mundo e que a nossa capital sairia de Buenos Aires e voltaria a ser Brasília.
Mas como diz aquela piada que meu pai me contou mais de uma vez: "Me enganei. Pensei que ia peidar e caguei". Depositei esperanças doces onde só amarga a realidade.
Não entendo como eu tive a capacidade de apostar num paiseco de merda como o nosso. Digo paiseco não por sua extensão, belezas naturais, nada disso. Digo por outros motivos que conseguem matar o que é bom aqui com a eficiência de um veneno.
Nós temos um presidente praticamente analfabeto. Não que eu tenha alguma coisa contra as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar, mas acho que quem realmente quer procura meios de construir seu caminho. Com tantas coisas acontecendo em tantos períodos eleitorais (me lembro de Lula concorrendo contra o Collor em 1989), como esse imbecil não pensou em estudar?! Mesmo depois que deixou o trabalho de torneiro mecânico (e para o qual fez um curso técnico) pela falto do mindinho (e isso lá é motivo para se aposentar?!), a figurinha poderia ter buscado ser alguém na vida, sei lá. Mas também parece que isso não importa muito, sabe? Inclusive eu me pergunto como que ele conseguiu mandar os filhos para estudar no exterior com a aposentadoria de torneiro mecânico...
Nós temos um legislativo podre, um executivo mentecapto e um judiciário decrépito. Eu reconheço, por exemplo, que algumas situações só podem ser taxadas como "crimes" quando há o flagrante. Mas não sei se em algum outro país uma pessoa que possui conteúdo sexual explícito de menores no seu computador deixa de ser pedófilo por não estar enviando esses dados a outros usuários. Ah, no nosso país esconder dinheiro de propina na cueca, na mala ou no tuim poderá OU NÃO ser um crime. Depende de quanto dinheiro o seu "padrinho político" tiver.
Mas é claro que nem tudo está perdido, certo? De tantos em tantos anos, temos eleições, a chance do povo escolher seus representantes e estes, por sua vez, colocarem a devida ordem nesse bacanal, certo?!
Não, burros. Errado, mais uma vez.
Nosso período eleitoral é uma piada há algum tempo, mas ultimamente tem-se tornado um verdadeiro circo de horrores: veste-se de cangaceiro, imita-se Jesus, plageia-se a música alheia, tudo é permitido. Na minha concepção, uma pessoa que tivesse a intenção de representar a população (no degrau hierárquico que lhe aprouvesse) deveria ter o mínimo de instrução, conceito perante a sociedade e idoneidade comprovada. Não que precisasse apresentar diploma de Harvard, pois algumas mentes brilhantes e bem sucedidas não tiveram a oportunidade de chegar ao Ensino Superior; mas que mostrasse ter competência em sua função, ser bom empregador, contribuir com a comunidade, buscar interesses maiores que os financeiros... Pensando bem, estamos falando do Brasil, né? E o nosso presidente... bom, já deu pra entender, né?
A meu ver, se continuar assim, o Brasil, o "país-continente", o "berço esplêndido", etc., et., será para sempre um paiseco de merda movido a pão e circo. Movido a "bolsas-farelo", a obras eleitoreiras, a maquiagens de última hora, a risadas de chacota vindas do resto do mundo, a laranjas, a propinas e a traficantes que mandam mais do que o poder público. Os direitos humanos continuarão sendo "direitos dos manos" até que tiremos o cabresto ou que paremos de rir dos outros e olhemos nossas caras - ridiculamente pintadas - no espelho.
Enquanto isso, a terra onde "tudo que pinta de novo, pinta na bunda do povo" sofreu modificações. O Brasil agora é a terra da caipirinha, do pagode e do Ronaldo Gordo; o QI virou os filhos feios que todo mundo adora fazer e detesta assumir a paternidade; a Amazônia, de tão desmatada, já não é mais de interesse da ONU e a nossa capital já chegou ao Rio de Janeiro.
E viva o Brasil.
Voltei, mais uma vez. Voltei a escrever, porque nosso país merece!
Isso mesmo. O Brasil MERECE que eu escreva!
O Brasil merece que eu escreva porque, um dia, eu acreditei nele. Acreditei que a minha nação, a minha "terra adorada" pudesse se tornar algo além da terra das bananas e das mulatas. Acreditei que um dia o QI avaliado pelas empresas na contratação de seus funcionários seria sigla para um tipo de análise de competência. Cheguei até a sonhar que a Amazônia seria reconhecidamente nossa, que nossa língua seria respeitada nos quatro cantos do mundo e que a nossa capital sairia de Buenos Aires e voltaria a ser Brasília.
Mas como diz aquela piada que meu pai me contou mais de uma vez: "Me enganei. Pensei que ia peidar e caguei". Depositei esperanças doces onde só amarga a realidade.
Não entendo como eu tive a capacidade de apostar num paiseco de merda como o nosso. Digo paiseco não por sua extensão, belezas naturais, nada disso. Digo por outros motivos que conseguem matar o que é bom aqui com a eficiência de um veneno.
Nós temos um presidente praticamente analfabeto. Não que eu tenha alguma coisa contra as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar, mas acho que quem realmente quer procura meios de construir seu caminho. Com tantas coisas acontecendo em tantos períodos eleitorais (me lembro de Lula concorrendo contra o Collor em 1989), como esse imbecil não pensou em estudar?! Mesmo depois que deixou o trabalho de torneiro mecânico (e para o qual fez um curso técnico) pela falto do mindinho (e isso lá é motivo para se aposentar?!), a figurinha poderia ter buscado ser alguém na vida, sei lá. Mas também parece que isso não importa muito, sabe? Inclusive eu me pergunto como que ele conseguiu mandar os filhos para estudar no exterior com a aposentadoria de torneiro mecânico...
Nós temos um legislativo podre, um executivo mentecapto e um judiciário decrépito. Eu reconheço, por exemplo, que algumas situações só podem ser taxadas como "crimes" quando há o flagrante. Mas não sei se em algum outro país uma pessoa que possui conteúdo sexual explícito de menores no seu computador deixa de ser pedófilo por não estar enviando esses dados a outros usuários. Ah, no nosso país esconder dinheiro de propina na cueca, na mala ou no tuim poderá OU NÃO ser um crime. Depende de quanto dinheiro o seu "padrinho político" tiver.
Mas é claro que nem tudo está perdido, certo? De tantos em tantos anos, temos eleições, a chance do povo escolher seus representantes e estes, por sua vez, colocarem a devida ordem nesse bacanal, certo?!
Não, burros. Errado, mais uma vez.
Nosso período eleitoral é uma piada há algum tempo, mas ultimamente tem-se tornado um verdadeiro circo de horrores: veste-se de cangaceiro, imita-se Jesus, plageia-se a música alheia, tudo é permitido. Na minha concepção, uma pessoa que tivesse a intenção de representar a população (no degrau hierárquico que lhe aprouvesse) deveria ter o mínimo de instrução, conceito perante a sociedade e idoneidade comprovada. Não que precisasse apresentar diploma de Harvard, pois algumas mentes brilhantes e bem sucedidas não tiveram a oportunidade de chegar ao Ensino Superior; mas que mostrasse ter competência em sua função, ser bom empregador, contribuir com a comunidade, buscar interesses maiores que os financeiros... Pensando bem, estamos falando do Brasil, né? E o nosso presidente... bom, já deu pra entender, né?
A meu ver, se continuar assim, o Brasil, o "país-continente", o "berço esplêndido", etc., et., será para sempre um paiseco de merda movido a pão e circo. Movido a "bolsas-farelo", a obras eleitoreiras, a maquiagens de última hora, a risadas de chacota vindas do resto do mundo, a laranjas, a propinas e a traficantes que mandam mais do que o poder público. Os direitos humanos continuarão sendo "direitos dos manos" até que tiremos o cabresto ou que paremos de rir dos outros e olhemos nossas caras - ridiculamente pintadas - no espelho.
Enquanto isso, a terra onde "tudo que pinta de novo, pinta na bunda do povo" sofreu modificações. O Brasil agora é a terra da caipirinha, do pagode e do Ronaldo Gordo; o QI virou os filhos feios que todo mundo adora fazer e detesta assumir a paternidade; a Amazônia, de tão desmatada, já não é mais de interesse da ONU e a nossa capital já chegou ao Rio de Janeiro.
E viva o Brasil.
Sunday, August 17, 2008
"Coração bobo"
Há algum tempo tenho sido mais dura comigo mesma. Me cobro mais, me forço mais, me desafio todos os dias. Mas, mesmo que eu queira muito, algo em mim que não endurece é o coração; não o órgão, mas aquele que tanto aparece em romances e poemas como sendo o centro das emoções.
Por mais surrado e magoado que tenha sido, o cretino não endurece. Não aprende! Fica lá, me dizendo que está tudo bem, enquanto faz com que as lágrimas corram dos meus olhos e tudo dentro de mim se acabe de tempos em tempos.
E o safado não endurece!
Não é capaz de pedir um movimento sem pensar nos outros, sem esperar ouvir a opinião alheia, sem empatia, sem vontade de querer abraçar o mundo pra vê-lo melhor. E só fica nessa: apanha, chora, levanta; fica magoado, chateado, abana a cabeça, levanta; pontapé, facada, curativo, levanta...
Às vezes não toma uma atitude. E quando faz algo de maneira ríspida, seca, desumana, ix! pode saber que virão em seguida abraços e promessas de que tudo ficará bem. Diacho de coração que não aprende!
E ainda tem a ousadia de dizer que, às vezes, a melhor maneira corrigir alguém é desse jeito: com paciência, carinho e amor. A ousadia!!!
...
Pior do que isso é ver que o danado está certo ¬¬
Por mais surrado e magoado que tenha sido, o cretino não endurece. Não aprende! Fica lá, me dizendo que está tudo bem, enquanto faz com que as lágrimas corram dos meus olhos e tudo dentro de mim se acabe de tempos em tempos.
E o safado não endurece!
Não é capaz de pedir um movimento sem pensar nos outros, sem esperar ouvir a opinião alheia, sem empatia, sem vontade de querer abraçar o mundo pra vê-lo melhor. E só fica nessa: apanha, chora, levanta; fica magoado, chateado, abana a cabeça, levanta; pontapé, facada, curativo, levanta...
Às vezes não toma uma atitude. E quando faz algo de maneira ríspida, seca, desumana, ix! pode saber que virão em seguida abraços e promessas de que tudo ficará bem. Diacho de coração que não aprende!
E ainda tem a ousadia de dizer que, às vezes, a melhor maneira corrigir alguém é desse jeito: com paciência, carinho e amor. A ousadia!!!
...
Pior do que isso é ver que o danado está certo ¬¬
Monday, August 11, 2008
Tenho estado dividida entre várias coisas...
Algumas que merecem que me preocupe com elas, outras que me parecem simples paranóia.
Sinto que vou explodir em vários pedaços de mim que não conseguem convergir em idéias ou ações. Partes diferentes que querem viver independentes das outras.
Enquanto isso não acontece, espero passar a dor de cabeça que tanto me perturba.
Algumas que merecem que me preocupe com elas, outras que me parecem simples paranóia.
Sinto que vou explodir em vários pedaços de mim que não conseguem convergir em idéias ou ações. Partes diferentes que querem viver independentes das outras.
Enquanto isso não acontece, espero passar a dor de cabeça que tanto me perturba.
Monday, May 12, 2008
"O bom filho à casa torna"
Fui movida por uma insana vontade de voltar a escrever.
Não que alguém leia, mas as palavras dentro de mim têm vida própria. E travam batalhas homéricas dentro de mim quando teimo em não deixá-las fazer o que querem. Entro em uma espécie de "transe consciente", que tenho impressão de ser o mesmo pelos quais passam os médiuns espíritas quando recebem entidades (segundo o que me relata meu pai): estou aqui, fisicamente, digitando ou empunhando lápis ou caneta, e as palavras fluem, saem, sem que eu as veja, tomando a forma que querem e bem entendem.
Voltei, enfim. Voltei principalmente por saber que sou eu. Uma pequena vitória para quem tem lutado há muitas luas para conseguir sair do primeiro passo; mas ainda assim, vitória.
Sei quem sou e quero ser mais. Nada além daquilo que já exista dentro de mim. Infelizmente, aquém do que esperam de mim, eu sei. Tenho um defeito que me torna inapta (?) para preencher as expectativas: a cabeça anda muito na Lua.
Não que eu seja lerda ou algo parecido. Mas meus sonhos parecem tão plausíveis dentro do meu tempo que as dificuldades se tornam imagens borradas mesclando-se à paisagem cotidiana. Está tudo tão claro, meu Deus!, como é possível que mais ninguém veja o que eu vejo?
Então continuo andando em gravidade zero, sentindo-me leve, coração levado com a maré. "Sendo como a areia onde a onda vem bater", sempre... Sentindo o corpo levado e trazido, saboreando os prazeres e as dores de ser eu. Tendo como bússola os meus sonhos, como guia, a fé na minha capacidade o no meu talento.
Queria ser mais. Queria poder fazer os olhos daqueles que amo brilharem cheios de orgulho, mas por enquanto não consegui. Quem sabe, um dia? Por enquanto, me satisfaço em deixar o corpo leve, dançando com as ondas, e os sonhos se alimentarem dos meus pensamentos para ficarem fortes até o dia em que, revestidos deles, se tornarão tão plausíveis quanto a minha pessoa.
Por enquanto, fico feliz em ser o que sou. Dar um passo de cada vez para não embolar as pernas. Deixar a cabeça na Lua enquanto o corpo trabalha aqui, para que tudo seja feito no seu devido tempo.
Não que alguém leia, mas as palavras dentro de mim têm vida própria. E travam batalhas homéricas dentro de mim quando teimo em não deixá-las fazer o que querem. Entro em uma espécie de "transe consciente", que tenho impressão de ser o mesmo pelos quais passam os médiuns espíritas quando recebem entidades (segundo o que me relata meu pai): estou aqui, fisicamente, digitando ou empunhando lápis ou caneta, e as palavras fluem, saem, sem que eu as veja, tomando a forma que querem e bem entendem.
Voltei, enfim. Voltei principalmente por saber que sou eu. Uma pequena vitória para quem tem lutado há muitas luas para conseguir sair do primeiro passo; mas ainda assim, vitória.
Sei quem sou e quero ser mais. Nada além daquilo que já exista dentro de mim. Infelizmente, aquém do que esperam de mim, eu sei. Tenho um defeito que me torna inapta (?) para preencher as expectativas: a cabeça anda muito na Lua.
Não que eu seja lerda ou algo parecido. Mas meus sonhos parecem tão plausíveis dentro do meu tempo que as dificuldades se tornam imagens borradas mesclando-se à paisagem cotidiana. Está tudo tão claro, meu Deus!, como é possível que mais ninguém veja o que eu vejo?
Então continuo andando em gravidade zero, sentindo-me leve, coração levado com a maré. "Sendo como a areia onde a onda vem bater", sempre... Sentindo o corpo levado e trazido, saboreando os prazeres e as dores de ser eu. Tendo como bússola os meus sonhos, como guia, a fé na minha capacidade o no meu talento.
Queria ser mais. Queria poder fazer os olhos daqueles que amo brilharem cheios de orgulho, mas por enquanto não consegui. Quem sabe, um dia? Por enquanto, me satisfaço em deixar o corpo leve, dançando com as ondas, e os sonhos se alimentarem dos meus pensamentos para ficarem fortes até o dia em que, revestidos deles, se tornarão tão plausíveis quanto a minha pessoa.
Por enquanto, fico feliz em ser o que sou. Dar um passo de cada vez para não embolar as pernas. Deixar a cabeça na Lua enquanto o corpo trabalha aqui, para que tudo seja feito no seu devido tempo.
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